
E um dia você acorda sem voz e sem fôlego. O corpo queima. É paixão? Não. Gripe. O inverno chegou, bateu na porta, e sorrateiro que só escarrapachou-se folgado no sofá da sala. É tempo de resgatar no fundo do armário todos os tricôs que você comprou durante o ano em alguma liquidação e nem usou ainda. Resgate também do fundo da gaveta todos os comprimidos, xaropes, ungüentos e encantos. Está aberta a temporada de Fluimucil, Vick Pirenas e Coristinas C, D, G, X, K, Y até a Z. Definitivamente virose não é fácil, nem fashion. Além das pelerines, há quem diga que inverno é tempo de brigadeiro, como se brigadeiro não fosse bom o ano todo. O problema é que eles se instalam diretamente no seu quadril, enquanto outros brigadeiros mais ousados descem direto para o culote. Dali não saem. Nem para tomar sol. Deve ser obra do capeta, só pode, pois nem reza forte cura. Mas devia. Também estão na categoria infernal o panetone, o chocotone, o pudim de leite, a bala de leite da Kopenhagen e todos, simplesmente todos, os sorvetes Häagen-Dazs. Mas quer saber? Não há rúcula que aqueça um ser humano numa noite fria. E se o inverno é inevitável, vamos aproveitar o máximo. Um chocolate quente ou uma boa xícara de chá pra gente se achar. Com sequilhos por favor. Eu acho.
Marcadores: Crônica